Danças típicas aliam resgate de tradição e função social
- 17 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de jun. de 2022
Grupos de dança da cidade levam alegria e diversão com diferentes ritmos e costumes próprios
Jainara Oliveira
Marcos Feitosa

Grupo Bumba Boi Vitória em apresentação na Beira-Rio. (foto: Marta Soeiro)
As danças típicas do Maranhão avivam tradições, cumprem funções sociais e levam entretenimento para os brincantes e o público. Em Imperatriz, o grupo Bumba Boi Vitória: Sotaque de Orquestra possui 30 integrantes. Surgiu na década de 1990 com fortes ligações com a catequese da paróquia Nossa Senhora da Vitória, o que levou à escolha do seu nome em homenagem à padroeira do bairro.
A professora Marta Soeiro, fundadora do Bumba Boi Vitória, conta com ajuda de seus brincantes todos os anos para articular essa brincadeira junina e abrilhantar as noites de São João de Imperatriz.
Kaira Soeiro, 23 anos, integrante e filha da fundadora, diz que o Bumba Meu Boi é sua paixão desde os sete. "É uma honra fazer parte dessa tradição, vai muito além da relação familiar. Trazer alegrias e diversão todos os anos, passando isso de geração em geração, é um prazer imensurável", afirma.
O São João 2022 marcou a volta das apresentações presenciais do Boi Vitória, após o período de isolamento social do auge da Covid-19. "Estamos sendo bem recebidos pelo público, com muita emoção e aplausos. Dá para ver no olhar dos espectadores que eles sentiram falta desse período", comenta Kaira.
O Bumba Meu Boi faz parte do folclore brasileiro e acontece no Maranhão desde o século XVIII. É considerada a festa mais popular do estado. Possui cinco sotaques: Matraca, Orquestra, Baixada, Zabumba e Costa de Mão. Existem diversos personagens dentro da dança e variam de acordo com o sotaque.
A festa em celebração ao Bumba Meu Boi inclui danças, músicas, desfiles e representações teatrais. Um homem vestido com a fantasia e chamado de miolo de boi simula movimentos intensos, cercado de outros integrantes que interpretam vários personagens, como a famosa Catirina. Todos entoam cantigas regionais com rimas e estrofes simples.
O grupo Boi Encantos de Imperatriz surgiu durante uma roda de conversa de amigos, todos interessados pela manifestação cultural. Criado em 2019, conta com 47 integrantes. Como é um boi de Orquestra, realiza sua dança com o acompanhamento de instrumentos de sopro e sanfona. Em uma ou duas músicas, costumam misturar este sotaque com o da Baixada, o que renova a sonoridade do espetáculo.

Grupo Boi Encantos de Imperatriz divulga a riqueza cultural do Maranhão. (foto: Gabriel Nascimento)
Apaixonados desde criança por essa cultura, integrantes relatam que contam os dias e os meses para chegar logo o período junino, para poderem levar alegria e diversão para a cidade.
Diversidade
Além do Bumba Meu Boi, outra dança típica é a quadrilha junina, que encanta as noites de São João anualmente. O grupo Raízes da Juventude, de Estreito, nasceu em 2016, como uma forma de diversão e, após seis anos, possui 50 integrantes.
A presidente, Assucena Sales, acredita que a dança junina tem um papel social na região. "A cultura junina é de extrema importância, tiramos muitos jovens das drogas e depressão”, afirma.

Junina Raízes da Juventude em apresentação na 11º edição do Arraiá da Mira em 2019. (foto: Assucena Sales)
A junina Raízes da Juventude desenvolve um modelo da quadrilha estilizada, apresentando coreografia própria e passos criados exclusivamente para a música escolhida. Os figurinos são de luxo, tirando um pouco o modelo matuto, mas sem perder a essência.
O tema do Raízes em 2022, no Arraiá da Mira, "Ninguém solta a mão de ninguém", foi o Setembro Amarelo, mês do combate ao suicídio. Nas alegorias, o girassol, flor símbolo da campanha de alerta da depressão. Eles também voltaram a se apresentar em cidades vizinhas, como Riachão, São João do Paraíso e em Estreito.
Já para o União da Juventude Popular, além de resgatar a cultura por meio da dança, é importante defender valores sociais. Criado em 2010, com 13 integrantes, o grupo surgiu a partir do Movimento das Comunidade Populares. Defende a causa dos povos indígenas, camponeses, operários e quilombolas.

Grupo da União da Juventude Popular tem orgulho em levar cultura para as comunidades. (foto: Yara Oliveira)
Apresentando danças típicas de diversas culturas brasileiras e afrodescendentes, mesclam as expressões indígenas, quilombolas, camponesas e operárias. O grupo procura divulgar e fortalecer uma cultura muitas vezes invisibilizada, mesmo alegando enfrentar preconceitos, como a comparação pejorativa com a "macumba".
Seus integrantes defendem, ainda, que todas as manifestações artísticas são importantes para a construção social, não somente a dança. A intenção, segundo os integrantes, é resgatar as culturas, para que os jovens e quem vier depois saibam o que aconteceu antes deles.
Abaixo, os contatos dos grupos no Instagram:
Grupo Boi Vitória
@boi_vitoria
Grupo Boi Encantos de Imperatriz
@bbei_2021
Grupo Raízes da Juventude
@raizesdajuventude.qj
Grupo União da Juventude Popular
@ujp_slm
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